Rio de Janeiro

Fatima Saint-Clair Campos - quinta-feira, 5 março , 2015

Universo da Mi – Vida de Cachorro e Glamour

Fatima Saint-Clair Campos - quinta-feira, 5 março , 2015

Chagall

Fatima Saint-Clair Campos - quinta-feira, 5 março , 2015
Rio - samba - futblol - frutas
mimosa
the-promenade-1918- Chagall - Le promennade

 

Chagall

O Pintor Apaixonado

Falarei, aos poucos, sobre artistas apaixonados por suas mulheres, amantes, companheiras e vice versa.  O amor que os levou ao auge e até, talvez, ao desespero.  Vamos começar por um pintor de outros mares…

“Na arte como na vida tudo é possível, se a base for o amor”
                                                                                        Marc Chagall

 

Chagall Pintor 2

La Fiancée

O Pintor

O  Pintor do Sonho  e do Fantástico Luminoso…  Quimera e imagens do amor bucólico por Bella.  O brilho, o céu, o véu, o perfume, o carmim, o azul… Vacas voando, amantes flutuando, flores ao vento, arte e poesia, inspiração e música… Lírico total.  Como não ficar embriagado com esse amor sublime que Chagall tinha por sua esposa Bella. Rosendall

 

Revolução Visual

A primeira vez que vi uma obra de Chagall, em Paris, a pitoresca utopia do amor em cores, ficou impregnada na minha mente… Em um de seus depoimentos, na sua chegada a Paris, Chagall afirmou que “aspirava uma revolução visual’.  Revolução essa que invadiu minha concentração diante das suas obras… Eu sugava esse arrebatamento visual que entrava olhos adentro da minha imaginação.  Puro deslumbre.

Chagall Pintor 2

Au-dessus de la ville

Chagall e Bella

Chagall e Bella nasceram em Vitebsk naRússia. Judeus e amantes da arte, conheceram-se em 1909. Bella tinha 14 anos. Chagall dizia que o amor entre os dois começou desde o instante em que se viram e durou 35 anos.  Em 1910, Chagall foi estudar em Paris. Regressou a Rússia em 1914 e casaram-se um ano depois. Em 1916, tiveram a única filha chamada Ida e em 1922 mudaram-se para a França. Segunda terra natal de Chagall onde se naturalizou francês. Bella sempre foi o maior foco em suas obras. Frequentemente representada como uma noiva genuinamente amada. Ela foi mais que uma esposa; ela mantinha a Rússia viva, em sua alma,  lia Gogol em voz alta fazendo comida russa; foi mãe, escritora, crítica de arte, negociadora das obras de seu esposo e sua estrela guia.   Em 1931 Chagal visita a Terra Santa com intuito de buscar inspiração para o seu novo projeto: as ilustrações da Bíblia.  Em 1935 seu espirito vira desalento ao perceber a revolta contra o judaísmo. A dura realidade do antissemitismo causa um efeito enorme sobre suas pinturas. Suas telas passam a ser mais sombrias e nebulosas. Brilho fosco.

 

 O Pintor sem Bella

Em 1941 Chagall e sua esposa mudam-se para Nova Iorque para escapar do nazismo.  Em 1944 Bella morre de uma infecção viral.  Mundo tosco… Mundo empacado… Mundo sem razão… Meus olhos passaram pelas cores do Bella - Chagallauge às cores da sombra… O bálsamo flutuante dos sonhos de luz esvaiu-se do poeta das cores.  Sem luminosidade, o desaparecimento da amada o fez peregrinar em profunda depressão. “Tudo ficou escuro diante dos meus olhos” disse Chagall. Estagnou sua paleta por 9 meses após a perda da sua  esposa, amante, musa e companheira por mais de 30 anos.  Tudo virou nuvem…

 

Chagall e Edith Haggard

4

Em 1945 relançou o seu pincel em sua obra “L’Âme de la Ville”.  A Europa estava  devastada  pela guerra, a cor era cinza. O Holocausto em  brasas.  A trilha era  fumaça. Chagall era  superação da perda e das chamas.

Nesse mesmo ano, Chagall começou um romance com Virginia Edith Haggard que    durou cerca de sete anos onde tiveram um filho chamado Davi. Virginia era uma  refinada jovem inglesa educada em Paris e não se adaptou a vida de Chagall. Em  1946 Chagall publica o mais famoso livro de Bella:  “The Burns Lights”. Bella  entre  várias obras, escreveu, também, a biografia de seu marido. Em 1952 sua filha Ida  trouxe Valentina Brodsky, para trabalhar como governanta na casa de seu pai.  Chagall ficou contente, pois a agregada trazia de volta os sabores dos pratos russos ao seu lar. Ela era calma, discreta e eficaz.

 

Chagall e Vava

Valentina, chamada de Vava, também era judia. Esperança.  Tomado pela paixão das raízes de outrora, Chagall 5casou-se três meses depois com Vava.  Ela o impulsionou nas obras de vitrais das igrejas, catedrais, sinagogas, óperas; ela negociava entre a Europa e a América os vitrais de seu marido.   Chagall e Vava viveram juntos 33 anos em Saint-Paul-de-Vence no sul da França.  Ele morreu em 1985 aos 97 anos.  Ela em 1993 aos 88 anos e ambos foram enterrados no cemitério católico na cidade onde viveram. Grandeza.

 

A Arte Extravagante

“Tudo continuará. Haverá outros Chagall. Sempre os há. Sempre haverá cores puras, música, poesia. Sempre haverá artistas atraídos pela luz.” Marc Chagall continuará nos levando a esse mundo imaginário dos sonhos e das paixões pelas paixões.  A realeza romântica do voo.  Cada fase e cada mulher em sua vida trazia uma nova expressão a sua arte.  Nada foi em vão. Mas haverá outro Chagall?  Não com essa luz.

“Minha arte é extravagante, um vermelhão flamejante, uma alma azul inundam minhas telas” Marc Chagall

Chagall - Pintor

Chagall Bella e Ida

Pablo Picasso comenta em 1950: 

“Chagall será para sempre o único pintor que realmente compreende o que é cor”.

Link Pablo Picasso muito interessante:

Artsy

 

6 comments

Deixe um comentário